Shopping da Baixa

Posted on 03/12/2007 por

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por Lucas Rocha

Com uma estrutura antiga, corredores largos e paredes pintadas de verde e branco, o Shopping da Baixa dos Sapateiros é um convite para qualquer um que visite a Baixa dos Sapateiros. Funcionando das 9h da manha às 7h da noite, ele dispõe de 68 lojas espalhadas por três pisos. Dentre os serviços oferecidos pelo shopping popular, destacam-se as lojas de aparelhos eletrônicos, que se acumulam no segundo piso, tendo também lanchonetes, lojas de brinquedos e uma extensão do Núcleo de Assistência Jurídica (NAJ). E brevemente serão inaugurados dois postos do Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (PROCON). Não há data certa para a inauguração, mas a administração tem a previsão que aconteça dentro de dois meses.

Inaugurado no ano de 1982, o Shopping tornou-se um dos centros comercias mais procurados da época. Mas, com o passar do tempo, ele foi sendo abandonado pelos seus clientes. Inicialmente, segundo o administrador do Shopping José Robério Pedreira, 50 anos, que ocupa o cargo há cinco anos, o Shopping possuía 105 lojas, mas devido à fusão de cômodos e ao fato de comerciantes terem se mudado, somente 68 estão em funcionamento.

A decadência do comércio no bairro é um fato. E o Shopping também sofreu bastante com isso. Para a vendedora Elizabete Cruz, de 47 anos, que trabalha na loja KR Jóias há três anos, o comércio praticamente não existe. “Os prefeitos sempre dizem que vão dar uma injeção aqui (investimento em dinheiro), mas até hoje nada”, reclamou. Para ela, a culpa pela decadência do comércio no Shopping foi da descentralização do comércio, que antes era mais forte na região do Centro Histórico.

Outro fator que a vendedora aponta é a presença do mau cheiro e de muitos usuários de drogas nas regiões próximas ao Shopping, o que acaba afastando os possíveis compradores, além do lixo que está espalhado por toda parte. Elizabete lembra-se da época em que começou a trabalhar no local, dos anos de 1984 aos de 1986, quando o movimento era intenso e ninguém tinha tempo nem para respirar. A vendedora relata que em sua loja não há um público fiel. Ela afirma que o movimento que ocorre lá de vez em quando é devido ao fato de a loja fazer diversos pagamentos (água, luz, telefone…).

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O Shopping da Baixa dos Sapateiros não realiza eventos em nenhuma época do ano. Segundo a vendedora Elizabete, os eventos poderiam estimular as pessoas a aparecerem, mas nem este atrativo o Shopping oferece para atrair o público. Já o administrador afirma que há alguns anos eles realizavam eventos, porém esses eventos beneficiavam apenas dois comerciantes e o Shopping inteiro ficava funcionando, gastando energia, que depois era dividida entre todos os comerciantes: “Aqui acontecia eventos, sim! Acontecia seresta toda terça, sexta e sábado. O problema é que a seresta só beneficiava dois comerciantes. Além disso, ela começava às 8h da noite, quando o horário de funcionamento do Shopping era até 7h”.

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Alguns comerciantes e clientes reclamam do estado de conservação do empreendimento. Mas, contrário às idéias deles, o administrador se defende: “A última reforma aconteceu ano passado (2006) e o Shopping já recebeu três pinturas em cinco anos”. Defendendo o administrador, a proprietária do restaurante Kilo Max, Josélia Maria Caldas, 46 anos, que trabalha há 11 anos no Shopping, diz que é impossível um administrador fazer um bom trabalho sem dinheiro. Ela afirma que Robério faz das tripas coração para poder sustentar as reformas do Shopping, ainda mais com a porcentagem de inadimplentes. Informações cedidas pela administração do Shopping mostram que o nível de inadimplência no Shopping era muito alto, cerca de 80% dos comerciantes não pagavam o condomínio, mas depois da administração de Robério este número caiu para 60%.

A aposentada Joana Carla Marinez, 67 anos, afirma que só aparece no Shopping em dia de pagamento. Ela reclama muito do mau cheiro da região e afirma que só vai ao Shopping em situações inevitáveis, como quando precisa encontrar algum conhecido que não sabe andar pelo bairro e levar para sua casa. Ela dá o Shopping como ponto de referência e só aparece lá para buscar.

Anualmente é feita uma eleição no Shopping para eleger o síndico, que será também o administrador. Há cinco anos consecutivos, Robério vence as eleições. E, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas por todo o Shopping, ele está muito satisfeito com seu trabalho e pretende continuar no cargo. Robério é o proprietário de um restaurante muito grande localizado no terceiro piso.

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Apesar de falar bem da administração do Shopping, Josélia reclama muito da clientela, que diminuiu significativamente. Ela acredita que os lucros vão aumentar com a inauguração do PROCON, que acontecerá no local. Segundo Robério, essa inauguração trará cerca de 480.000 pessoas para o centro comercial. Para muitos comerciantes, a clientela que o PROCON poderá trazer é a última esperança.

(novembro de 2007)

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