História do Museu Afro-Brasileiro

Posted on 27/11/2007 por

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por Ingreth Capistrano

Por estar localizado no Centro histórico a maioria dos visitantes do museu Afro-Brasileiro são turistas estrangeiros e brasileiros. É na alta estação que o museu é mais visitado e no dia 19 de abril, dia do índio, recebe um grande número de estudantes de escolas públicas e privadas, por conta do acervo indígena instalado no prédio da escola de medicina, que é o Museu Arqueológico e de Etnologia.

Estudantes de História, museologia costumam freqüentar o espaço, mas em Junho as visitas diminuem. A estudante de Direito e turista originária do Rio de Janeiro Taís Gremasço comenta: “Achei muito legal o museu. Quando chegamos à Bahia o guia nos falou do museu e ficamos super interessados.” No museu são disponibilizadas também palestras, projetos e cursos.

O museu dispõe de um Projeto de Formação de Jovens Monitores, sendo que todos são estudantes do ensino médio. Fernando Souza é um dos jovens que teve oportunidade de participar “O projeto está abrindo caminho para nós jovens, é o nosso primeiro trabalho. Além de estarmos conhecendo a nossa cultura, somos treinados e supervisionados”.

“A África não era uma página em branco antes da invasão colonial, havia produzido conhecimentos e técnicas, além de obras de grande valor nos campos da arquitetura, escultura, música, dança, poesia e literatura oral.” Este é um trecho que está na sala de indumentárias do museu, datado de Julho de 1972 do informe Correio da Unesco.

O museu Afro-brasileiro de Salvador participa da lista dos raros museus direcionados a cultura negra no Brasil. Surgiu de uma cooperação cultural entre o Brasil e a África, uma parceria com o Ministério da Cultura, das Relações Exteriores juntamente com a prefeitura de Salvador, o governo da Bahia e a Universidade Federal da Bahia.

Desde 1974 os pensamentos estavam voltados para a inauguração, adiada para o dia 7 de janeiro de 1982. Maria Emilia disse que uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo museu foi encontrar um local para instalá-lo. A proposta de sediá-lo na antiga Faculdade de Medicina, localizada no Terreiro de Jesus enfrentou protestos dos estudantes pois não queriam a instalação naquele prédio. A iniciativa da abertura foi justamente para expor e estudar a cultura negra, principalmente em Salvador, cidade mais negra fora da África. O museu tem como principais responsáveis o Reitor da Ufba, Heonir Rocha, a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, o Coordenador do museu Professor Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha, a Museologa Maria Emilia Valente Neves e a Diretora da Ceao Yeda Pessoa de Castro.

Exposição de Carybé

O museu afro-brasileiro dedica uma sala à obra de Carybé que expõe, num quadro, a obra e vida do desenhista, pintor, gravador, escultor, entalhador, muralista e ceramista Hector Júlio Paride Bernabó. Nascido na Argentina em 09 de fevereiro de 1911, Carybé faleceu em 1997, na sua mais nova terra natal, o Brasil. São 27 painéis representando os orixás do candomblé da Bahia. Cada quadro de madeira apresenta um orixá e suas armas, confeccionadas em madeira de cedro, um trabalho escultural e com aplicações de diversos materiais.

Acervo do museu

O acervo do museu foi constituído por doações da comunidade baiana e as demais peças vieram da Nigéria, Benin, Gana, Zaire, angola, Ruanda, Burundi, Guiné, Senegal, Tanzânia e Moçambique. São braceletes, anéis, gargantilhas, objetos metalúrgicos, indumentárias, cerâmica, fotos de mães, pais e filhos de santo, reinos africanos, instrumentos musicais, fotos de penteados ‘sendo que a roupa e o penteado significam status, poder, admiração, caráter’, a tecelagem, objetos e textos sobre religião ‘os orixás, voduns, inquices’, esculturas, máscaras, crendices, jogos, objetos que ao serem olhados transpassam uma energia positiva deixando bem nítida a riqueza e beleza da cultura africana. O museu passou por uma reforma em 1997, sofreu uma atualização e hoje tem muitas peças, indumentárias que estão sendo reformadas e não tem espaço suficiente para expor.

Horário de funcionamento:

Segunda a sexta das 9h às 18h
Sábados e domingos das 10h às 17h
Valor do ingresso (Está incluso a visita ao Museu Arqueológico e de Etnologia)
Adultos: R$5
Crianças até 5 anos: gratuito
Jovens entre 6 e 12 anos: R$ 2,50
Cidadãos acima de 60 anos: R$ 2,50
Estudantes de escolas públicas e comunidade UFBA: gratuito
Estudantes de escolas particulares: R$ 2,50
Telefone: (71) 3321-2013
Fax: (71) 3321-2013
Site: http://www.ceao.ufba.br/mafro

(outubro 2007)

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