O centro histórico de Salvador pede socorro

Posted on 21/11/2007 por

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por Caroline Barreto

As ruas do principal cartão-postal de Salvador retratam os problemas existentes nas demais áreas da cidade: praças quebradas, pichadas, indigentes, bares e restaurantes vazios, o que acarreta em prejuízos para os comerciantes, já que o problema afasta sua maior fonte de renda, os turistas. A pesquisa de Demanda Turística de Salvador revela que cerca de 10% dos turistas chegam ao município para visitar o Centro histórico. Em 2001 cerca de 230 mil pessoas vinham à Bahia interessada em conhecer o Patrimônio de Salvador.

Hoje, esse fluxo vem diminuindo gradativamente. Verifica-se uma queda de 30% em todo o Estado. “A queda na demanda fez com que os hotéis baixassem os preços, como já ocorre na baixa estação, mas a reação não tem sido a esperada”, diz Sérgio Amaral, gerente da pousada Beija Flor. Segundo o historiador O centro histórico possui uma área de 76 hectares e está localizado geograficamente na parte central da cidade. Apesar do seu potencial gerador de riquezas, vem se tornando desprezado, reduzindo os recursos da economia.

A população, inconformada e preocupada com a drástica queda no movimento e abandono do poder público, elaborou junto com as associações dos comerciantes, propostas para atrair não só os turistas, mas a própria população de Salvador.

“É um projeto de Sustentabilidade do Pelourinho através do comércio que está sendo elaborado com a união dos moradores, comerciantes, associações, governos federal, municipal e estadual. O projeto não foca somente o desenvolvimento socioeconômico, nem apenas a renda mensal e sim com a junção de alguns fatores, tais como: taxas elevadas de investimentos, aumento no nível de emprego, melhoria na programação cultural, trazendo mais estabilidade aos moradores”, diz Lener Couto, coordenador da Associação dos Comerciantes do Pelourinho (Acopelô).

O pedido de socorro veio na reunião realizada no dia 14 de abril de 2007, quando os comerciantes puderam expor suas propostas ao Secretário de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles. “Precisamos de segurança, limpeza, iluminação e programas diversificados para atrair visitantes ao Pelourinho”, afirma Solange Bernabó, proprietária da Oxum Casa de Arte.

Para a grade cultural foram elaboradas novas propostas como um aliado na inclusão social, geração de emprego, renda e educação voltado integralmente para o bem-estar e desenvolvimento das pessoas. “Queremos viver e morar no Pelourinho com qualidade de vida, não só manter o nosso comércio, mas adquirir cultura em um lugar tão rico historicamente como esse”, desabafa Jéssica Melo, integrante da associação de moradores e amigos do Pelourinho.

  As propostas já foram entregues ao governo, mas até hoje não há respostas. “O governo ainda não passou suas propostas a comunidade, e nós ficamos de mãos atadas. Sem a verba é impossível implantar o projeto”, afirma Lener.

Questionado sobre a demora na realização do projeto e exposição de suas propostas, a assessoria do governo municipal diz que essa questão é um problema da falta de verba que ainda não foi passada pelo Governo Federal. Diz ainda que o governo anterior investiu o ano passado R$ 2,8 milhões somente na programação do Pelourinho Dia e Noite, projeto que não se sustentou.

Embora a política pública atual ainda não esteja definida, a assessoria municipal diz que as propostas envolvem todo o centro antigo, que vai da Vitória ao Barbalho, além de ser voltado integralmente a população, principalmente aos moradores. “O Pelourinho é um organismo vivo, trabalhos, projetos, incentivos são discutidos e realizados todos os dias, sem ajuda de governo ou qualquer verba pública. Nós nos reunimos e realizamos nossos projetos com a ajuda dos comerciantes, moradores que se prontificam a ajudar”, confessa Lener.

A fama de ser um bairro perigoso, com prostitutas e cafetões esta afastando os turistas e os moradores do Pelourinho. Segundo Lener, essa afirmativa não sustenta “O Pelourinho é o bairro mais policiado por metro quadrado, existem 518 homens do batalhão cuidando do centro histórico. Quanto às prostitutas, em que bairro não existe isso? A diferença é que as prostitutas do pelourinho fazem isso pra se sustentar, como a única saída de se manter”.

(outubro 2007)

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Posted in: CIDADE