Comércio de volta às origens

Posted on 21/11/2007 por

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por Luciana Amâncio

Iniciada na gestão do então prefeito Antônio Imbassahy e tendo continuidade com João Henrique, a revitalização do Comércio está trazendo melhorias ao bairro depois da decadência durante as décadas de 80 e 90 (a exemplo do fechamento do Banco Econômico que marcou negativamente). Um dos setores que mais tem crescido na região é o da educação coma instalação das faculdades Dom Pedro II, Faculdade da Cidade, São Salvador, Instituto de Educação e Tecnologias (INET), e em breve a FIB, que está construindo um campus no bairro. 

Vários investimentos como estes estão sendo realizados devido aos incentivos fiscais oferecidos pela Prefeitura e pelo governo do estado, dentre eles a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da Taxa de Licença de Localização (TLL), durante quatro anos, isenção esta que pode ser renovada por mais quatro. Órgãos públicos como a Justiça do Trabalho, localizada próxima a Praça da Inglaterra, ocupa um prédio com 39 varas e a Secretaria da Fazenda Municipal depois de anos fora do Comércio, retornou com uma unidade próxima ao Museu do Ritmo.

 Segundo Gonzalo Francisco, que trabalha há cinqüenta anos no Comércio, não há revitalização e sim a vinda massiva de instituições de ensino e órgãos públicos. E em relação aos impostos e ocupação dos prédios, diz que as firmas antigas estão fritas em impostos altos, e os prédios têm salas vazias devido ao aluguel e ao IPTU, que são muito caros. No edifício Estados Unidos, localizado próximo ao Banco Safra, o quarto e o quinto andar servem de depósito e o terceiro encontra-se vazio e o prédio vizinho está abandonado.

O investimento em educação tem sido positivo na avaliação dos empresários do setor. Segundo Renato Pinheiro, diretor da Faculdade da Cidade, a instituição seria construída mesmo sem os incentivos fiscais (o projeto de revitalização foi posterior a idéia de construção da instituição), pois a intenção dos empresários era favorecer a cidade baixa, onde não há ensino superior. Porém os incentivos e o fato do prédio ter sido comprado semi-pronto (onde funcionava a antiga sede do extinto Banco Econômico) ajudaram a instituição a baratear os custos e a propor mensalidades mais acessíveis.

Bairro gera empregos com novos empreendedores

Um ponto importante da revitalização é a geração de empregos. Com o projeto, o comércio informal foi intensificado, foram abertos pequenos estabelecimentos como copiadoras, lanchonetes, livrarias, lojas de informática, para atender as instituições de ensino.

A loja Le biscuit, segundo Cassius Silva, analista de recursos humanos da loja localizada no Bonocô, gerou no início 54 empregos diretos e a Faculdade da Cidade, segundo Renato Rangel, coordenador geral da instituição, possui 170 professores e 140 funcionários. Com o aumento gradativo da operação de telemarketing, o Comércio passou a ter um prédio ocupado pela Contax e por 15 Call Centers. Os trabalhadores, em geral, são convocados pelo Serviço Municipal de Intermediação de Mão-de-obra (SIMM), localizado no próprio bairro, na Rua Miguel Calmon nº 382, Edifício das Seguradoras.

Segundo Manuel Alves, responsável por Comunicação e Marketing da Faculdade da Cidade, a instituição tem parceria com o SIMM. O órgão dá preferência em algumas vagas de estágio para os alunos da faculdade, que em breve terão, segundo Alves, na parte exclusiva do aluno, um espaço para realizar a inscrição on-line. Essa preferência é uma exceção, pois as inscrições só são realizadas no próprio SIMM, sendo distribuídas 650 senhas ao dia e os candidatos têm que chegar por voltas das cinco horas da manhã ao local.

Outro empreendimento, que contribuirá para a revitalização do Comércio, proporcionando empregos para população e maior quantidade de turistas na cidade é a implantação de dois grandes hotéis de luxo no Comércio (o Hilton e outro sem nome definido), que mesmo sendo de grande porte (normalmente visam arquitetura moderna), preservarão a arquitetura histórica e cultural do local.

Segundo, Marcos Cidreira, coordenador do Escritório de Revitalização, é um fato a construção de dois hotéis no Bairro do Comércio. O grupo português Imocon, vai construir um hotel Hilton categoria cinco estrelas, ocupando seis casarões nas duas primeiras quadras ao lado do Mercado Modelo, preservando todo o patrimônio com projetos já aprovados pela Secretaria do Planejamento (SEPLAN). O grupo espanhol Single Home, que já possui mais de 200 hotéis na Europa, escolheu o bairro do Comércio para implantar o primeiro hotel do grupo no Brasil, e este ficará na esquina da Avenida Estados Unidos com a Rua da Grécia no Comércio.

Problemas estruturais

Os problemas do projeto aparecem em relação à segurança e habitação. A segurança melhorou com a chegada do 160 batalhão da Polícia Militar, localizado na Praça Conde dos Arcos, ao lado do restaurante SESC. Este batalhão é comandado pelo major Oriosvaldo e conta com mais de 300 policias na área durante 24 horas, com carros, motocicletas e a pé. Apesar disso, segundo George Santos, funcionário da Bahia Ship Agência Marítima, ainda há ausência de segurança e iluminação nas ruas menos movimentadas. Essa situação facilita os assaltos, agressões e até estupros.

A habitação é uma situação muito grave. Houve uma época em que a construção de conjuntos habitacionais estava em prioridade no projeto, mas a prefeitura alegou não ter condições de realizar as obras e as considerou inviáveis. No entanto, vários casarões podem ser reutilizados para habitações, proporcionando em partes a reestruturação social, mas o problema é encontrar os proprietários dos casarões que se encontram em estado de calamidade ou ocupados por sem-teto que correm sérios riscos de vida nesses locais.

 Segundo Cidreira, a dificuldade de encontrar os proprietários se dá apenas nas encostas, sendo necessário nesses locais, recadastrar os donos dos casarões. Isso deve ser feito em parceria com o Governo Estadual e Federal, desapropriando imóveis abandonados com risco de tombamento, para um melhor aproveitamento desses, trazendo a possibilidade de moradia para a população.

(outubro 2007)

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Posted in: ECONOMIA