Berinjela

Posted on 31/08/2007 por

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por Flávia Pinheiro

“Unindo o útil ao agradável”. Quando se fala na livraria Berinjela, é possível lembrar do ditado popular. Esse ambiente, situado na Travessa da Ajuda, no Edifício Martins Catarino, no centro da cidade de Salvador, é capaz de integrar duas coisas antes consideradas extremamente opostas e segregadas: diversão e cultura.

A leitura se constitui numa importante fonte de cultura. A sua importância é mais significativa nos dias de hoje devido a grande demanda de informações. Contudo, apesar de necessária, ela ainda é pouco utilizada, principalmente pelos jovens, pois sempre foi símbolo de obrigação. Mas “para isso existem lugares como a livraria Berinjela, onde além da gente se divertir muito, consegue adquirir cultura de maneira diferente e dinâmica”, disse entusiasmada a estudante de Publicidade da UCSAL Juliana Pimenta, de 20 anos.

De passagem pelo Rio de Janeiro, Hernan Sonzine, publicitário argentino de 36 anos, conheceu a Berinjela. Achou a idéia e o negócio tão interessantes que resolveu abrir uma filial da livraria aqui em Salvador. Há três anos na cidade, ele diz que a Berinjela não é apenas uma livraria, “é um ponto de encontro, de integração de pessoas com estilos e culturas completamente diferentes”.

Grande, espaçosa, com dois andares recheados de prateleiras que dividem os exemplares nos mais variados temas, é possível desfrutar qualquer tipo de leitura e encontrar diferentes livros, principalmente os de ciências humanas e sociais. Berinjela se constitui em um espaço voltado tanto para a literatura como para a arte e a música. Sonzine fala que compra e vende apenas livros usados. Além disso, vende gibis, cds, vinis, todos de segunda mão.

A diferença deste sebo está no ambiente, pois dentro dele também funciona, de segunda a sábado, um restaurante que só serve comida natural. “Eu gosto sempre de falar que trabalho com cultura e saúde”, comenta George José Santos, de 31 anos, funcionário da loja há três meses.

Os clientes também podem sentar nas mesinhas de cor lilás tomando um suco da fruta feito na hora ou comer um quiche com recheio de queijo e, o que não podia deixar de ser, recheado com berinjela. Além de comprar livros, ouvir cds e vinis, ou seja, cuidar da mente, é possível, dentro da livraria, cuidar da saúde, comendo alimentos que não têm gordura e não fazem mal para o corpo.

“Temos um público muito variado”, comenta Sonzine. A livraria chama atenção de estudantes, jovens, crianças que estão à procura de gibis, intelectuais, estudiosos, professores e, é claro, colecionadores. A loja permite também que as pessoas consultem os livros gratuitamente enquanto permanecem no local. “Os clientes sentam, lêem e acabam tomando um suco ou qualquer outra coisa”, declara o proprietário da loja.

Ele ainda fala que seu público se divide entre aquelas pessoas que freqüentam apenas o restaurante, como empresários, que trabalham por perto e almoçam no local, e aquelas que vão intencionadas em comprar algum artigo da loja. Além disso, ele já teve o privilégio de atender Ruy Castro e Bel Borba, duas personalidades que raramente pode-se encontrar no meio da cidade.

Bruno Freitas, 22 anos, estudante de Ciências Contábeis da Universidade Federal da Bahia, freqüenta há algum tempo a livraria. Disse que já comprou alguns livros lá, mas cerca de duas vezes por semana vai até a loja essencialmente para navegar na internet. “Acho interessante esse estilo de livraria, pois é possível fazer um lanche enquanto a gente estuda”, diz Freitas.

A mais interessante atração que faz como que o público conheça e freqüente a loja é a utilização do espaço externo para shows. “Geralmente são bandas de rock que tocam e divertem o meu público”, afirma Sonzine. Bandas como Retrofoguetes, Ex Replicantes, entre outras, já participaram do cenário da Berinjela. “Elas tocam gratuitamente para divulgar seu trabalho e acabam divulgando também o meu”, diz Hernan.

A Berinjela ainda oferece um serviço que busca o material do cliente, facilitando sempre sua vida já que não precisa sair de casa. É assim, misturando cultura, saúde, praticidade e diversão que essa livraria de nome nada tradicional ganhou os corações dos cidadãos soteropolitanos e se tornou famosa na cidade.
(junho de 2004)

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