Bebida de sucesso

Posted on 11/04/2007 por

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por Thiago Sobral

Logo na entrada do bar do Cravinho, grandes tonéis de madeira fixados no alto armazenam os componentes da bebida: canela, erva doce, capim santo e a cachaça. Dentro, mesas e cadeiras feitas de madeira. Ao lado do bar, uma cachaçaria onde é vendida a cachaça envelhecida. E, nos fundos, existe um outro bar, o Fundo do Cravinho, onde toda sexta acontecem apresentações de bandas de vários ritmos, como MPB, Samba e Pop Rock. Esses bares vêm atraindo um bom numero de freqüentadores. O bar do Cravinho é conhecido pela bebida que originou seu nome. Já no Fundo do Cravinho o principal atrativo é a música ao vivo que acontece toda a sexta-feira.
Localizado no Terreiro de Jesus, centro histórico de Salvador, o bar Cravinho foi fundado há 14 anos, mas foi a partir da reforma do Pelourinho que seu movimento começou a aumentar. Segundo Julival Santos Reis, proprietário do bar, o dia de maior movimento é a terça-feira, quando ocorre a tradicional benção e as pessoas sempre aparecem para tomar um “cravinho”, uma bebida de infusão composta basicamente por cachaça, cravo, mel e limão.

Sendo essa bebida responsável pelo sucesso do bar, Julival Reis explica a estratégia utilizada por ele para a divulgação: “Apresentar a bebida de forma diferente”. Ou seja, em vez de vender a bebida já pronta, ela é preparada na hora, com os ingredientes escolhidos pelo cliente. Entre as opções estão jatobá, canela, erva doce, capim santo e outros, sendo que todos os ingredientes permanecem em um constante processo de envelhecimento.
O nome do bar é uma homenagem à bebida que tornou o estabelecimento famoso. Segundo Reis, isso se deu da seguinte forma: “Há muito tempo atrás as pessoas tinham o hábito de passar para tomar um cravinho, assim o bar ficou conhecido por esse nome”. Hoje o bar é freqüentado por um púbico bastante eclético: turistas, moradores do local, “classes de a até z, todos os tipos de gente”. Ademilton Pereira, funcionário da rede de supermercados Bompreço e freqüentador do local há cinco anos, diz que gosta do bar por causa da bebida feita com jatobá.

Entre os freqüentadores do local, estão turistas que, em visita a Salvador, conhecem o local e ficam atraídos pela maneira como é servida a bebida. Um deles é o turista espanhol Carlos Leoni, funcionário de um banco localizado na cidade de Barcelona, que soube do Cravinho quando estava no restaurante Cantina da Lua. Visitando o local pela primeira vez, diz ter gostado muito, principalmente da maneira como é servido o cravinho. Carlos Leoni garante que pretende em outras visitas a Salvador retornar ao estabelecimento.

A decoração do bar é bastante simples. As mesas e os tonéis existentes para armazenar os componentes do cravinho são de madeira o que serve também para deixar o clima do local rústico. A bebida pode ser consumida no próprio balcão, sendo vendida ao preço de R$ 1 o copo. O bar possui uma cachaçaria ao lado que vende cachaça envelhecida produzida artezanalmente. Segundo Julival Reis, os períodos de maior movimento são os meses de junho, julho, novembro e dezembro, período de férias, sendo freqüentado por muitos turistas. O bar funciona diariamente até às 23h.

Fundo do cravinho

Outro bar que tem conseguido atrair um bom público é o Fundo do cravinho . Segundo o seu proprietário, Antônio César Ribeiro, “devido ao problema da divulgação, o movimento foi crescendo aos poucos, até chegar a ponto de ser conhecido”. Porém, para ele, o movimento poderia ser melhor se não fosse “a má administração do Pelourinho”. Em sua opinião é preciso trabalhar com “seriedade e profissionalismo”. O bar, que surgiu há oito anos, tem uma freguesia composta principalmente por pessoas de classe média baixa, comerciários, servidores públicos e comerciantes da área.

Um dos atrativos do atrativo do bar é a música ao vivo, que acontece todos os dias das 19h às 23h, no estilo MPB, Samba de raiz e Pop rock. Segundo Ribeiro, as pessoas que saem do trabalho às 16h vão ao bar principalmente por causa da música. É o que confirma o policial civil Marcelo Batista, que conhece o bar desde o seu surgimento. Além de elogiar a música ao vivo, ele conta que quando estudava matemática na Universidade Católica de Salvador, faltava às últimas aulas de sexta-feira só para ir ao bar, pois em sua opinião esse é o melhor dia para se tomar uma cerveja. Marcelo Batista diz gostar do clima do lugar, para ele todos os locais deveriam ser abertos para qualquer tipo de pessoa, pois cada um tem seu próprio jeito de ser. Além tomar uma cerveja gelada, Marcelo diz gostar também de uma bebida denominada por ele de “batida cgc” que significa, cachaça, gengibre e cravo.

Por se localizar ao fundo do Cravinho, o bar ficou conhecido dessa forma, as pessoas não o chamavam pelo seu antigo nome, Senzala. Antônio César Ribeiro tem como planos para o futuro lançar um Cd do bar, com o objetivo de divulgar seu estabelecimento.
(junho de 2004)

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